terça-feira, 11 de outubro de 2016

RESENHA: O CONQUISTADOR - O LOBO DAS PLANÍCIES

Título: O Lobo das Planícies
Série: O Conquistador

Páginas: 420
Autor (a): Conn Iggulden
Editora: Record (2008)

Sinopse: Temujin tinha apenas 11 anos quando seu pai foi morto. Filho do líder da tribo, o menino foi então abandonado, e começou a vagar pelas planícies. Em pouco tempo, Temujin dominava o arco-e-flecha, demonstrando grande habilidade com armas. Reunindo outros excluídos como ele, logo dominaria diversas tribos. A grande jornada apenas começava, um novo imperador estava nascendo: Gêngis Khan. 'O Lobo das Planícies' é o primeiro volume da série 'O Conquistador', que recria a saga do imperador mongol Gêngis Khan e de seus descendentes.

Já li algumas obras não romantizadas que retratam a vida do maior conquistador que já existiu, Gêngis Khan. Além das leituras, também assisti alguns filmes e, recentemente, tive contato com a série Marco Polo, onde vemos os filhos dos filhos de Gêngis Khan colhendo o que o pai plantou: um vasto império. Muitas pessoas já me indicaram a leitura da série O Conquistador, que é muito bem avaliada no Skoob e no Goodreads, e eu decidi aproveitar a minha "vibe histórica" pra ver se era isso tudo mesmo. Se vocês me pedissem pra definir esse livro em poucas palavras, eu diria: FENOMENAL!


* * * *

Em um inverno rigoroso, típico das terras mongóis, nasceu Temujin, o segundo filho de Yesugei, o khan dos Lobos, que foi batizado com o nome de um corajoso guerreiro tártaro morto pelas mãos de seu pai. Ao retirar a criança de dentro da mãe, a parteira notou que o recém-nascido segurava um coágulo de sangue em sua mão. Um mau presságio.

"— O nome do meu filho é Temujin. Ele será ferro."

Após um tempo, Temujin é levado à tribo dos Olkhun'ut, onde conhecerá aquela que poderá ser sua futura esposa, honrando assim a tradição e preservando a linhagem de sua mãe. Além disso, o garoto passará uma temporada na tribo para aprender todos os costumes, táticas de guerra e técnicas de luta dos guerreiros Olkhun'ut. O khan dos Lobos deixa o filho na tribo e segue o caminho de volta para sua casa.

Em uma de suas paradas para descansar e se alimentar, Yesugei é atacado por alguns tártaros, que deixam o khan gravemente ferido, envenenado e debilitado, mas mesmo assim levam a pior. Reunindo todas as forças que lhe restam, Yesugei consegue montar em seu pônei e seguir viagem.

Yesugei Baghatur
Inconsciente, o khan dos Lobos consegue chegar até a planície onde sua tribo está acampada e é resgatado por Bekter, seu filho mais velho, e seus homens de confiança, que o levam até sua iurta (um tipo de cabana) para ser cuidado por sua esposa, Hoelun. Um dos homens em quem Yesugei mais deposita sua confiança suspeita que seu senhor não sobreviva ao envenenamento e começa a demonstrar um cobiça nunca antes vista para com a posição de khan.

As notícias correm rápidas. Um mensageiro dos Lobos vai até os Olkhun'ut para notificar Temujin da situação de seu pai e o garoto parte em uma viagem frenética até as planícies.

Ao chegar a sua tribo, Temujin se apressa para a iurta de seu pai, que, como se estivesse esperando o garoto, dá o último suspiro e morre. É então que o jovem guerreiro mostra um pouco de frieza e imediatamente vai notificar o seu povo da morte do khan e, assim decidir quem, entre ele e Bekter, deverá assumir o posto de khan dos Lobos.

O que os irmãos não esperavam, é que o homem em quem seu pai mais confiava, trairia a família a quem jurou lealdade e usurparia o posto de khan dos filhos de Yesugei. Os dois irmãos se revoltam e partem pra briga com o guerreiro, que os derrota facilmente e, como se a humilhação de usurpar o posto de khan não fosse o suficiente, o usurpador ordena que os Lobos levantem acampamento e se mudem, mas a família do antigo khan deve ficar à esmo, sem abrigo, comida ou proteção. Temerosas, as pessoas que compõe a tribo dos lobos não se opõe à ordem do novo khan, e fazem o que foi ordenado.

Hoelun, a viúva de Yesugei, e seus filhos: Bekter, o mais velho; Temujin, o segundo; Kachiun e Khasar, os seguintes; Temuge, o quinto e Temulun, a recém-nascida, são deixados para trás na planície, somente com as roupas do corpo, a coragem, a vontade de sobreviver e a promessa de um inverno extremamente rigoroso.

A partir daí, a família abandonada passará por uma série de desafios, intrigas e muitas outras adversidades que moldarão seus caráteres, inclusive o de Temujin, que descobrirá ali, no momento de abandono, o verdadeiro khan que existe dentro dele.

Temujin, Gêngis Khan.
 Uma obra sem igual. Uma obra que emociona até o mais insensível leitor. Para escrever O Lobo das Planícies (não só o primeiro livro, mas a série toda), Conn Iggulden morou durante um tempo na terra de Gêngis Khan para pesquisar a fundo todas as lendas, culturas, costumes e culinária, o que deu um toque ainda mais especial à obra.

O livro possui uma narrativa em terceira pessoa sob o ponto de vista de Temujin (se alternando pouquíssimas vezes durante a leitura). A escrita de Conn Iggulden é belíssima, simples e agradável, bem direta e sem muita enrolação. A obra é dividida em duas partes onde, na primeira parte, acompanhamos a infância de Temujin, desde seu nascimento até o momento em que ele atinge a maioridade (o que nós conhecemos como maioridade). Na segunda parte já podemos ver um pouco mais de ação do que na primeira, pois é onde Temujin vai começar a colocar todas as suas ideias em prática.

Iggulden focou com intensidade na parte psicológica dos personagens, principalmente na família abandonada. Podemos acompanhar o desespero de uma mãe para cuidar de seus filhos, uma união entre irmãos se fortalecendo de forma emocionante, as brigas decorrentes do stress por causa da falta de recursos e etc. Esse desenvolvimento psicológico é extremamente importante para o personagem principal, pois, assim como eu já comentei ali no enredo, foi uma forma de moldar o caráter dele para que ele se tornasse o que conhecemos hoje como o maior conquistador que já existiu na humanidade.

As batalhas descritas por Conn Iggulden podem ser comparadas com as maravilhosas batalhas descritas por Bernard Cornwell. Gêngis Khan foi um exímio estrategista, e Iggulden conseguiu captar essa qualidade do conquistador e transcrevê-la com maestria. Além disso, a narrativa nos momentos de batalha é frenética, o que transporta o leitor para o meio do cerco e faz com que ele anseie por mais.

O livro possui uma excelente pesquisa histórica, como já é de se esperar, mas Conn Iggulden tomou a liberdade de inserir algumas partes fictícias na trama que se encaixam com perfeição. O final do livro conta com uma nota histórica escrita pelo autor, onde ele nos diz o que é história de verdade e o que é ficção.

Esse livro é indicado para leitores que apreciam a história dos grandes conquistadores. Quem simpatiza com Bernard Cornwell, com certeza irá adorar a história de Gêngis Khan contada por Conn Iggulden. Não deixem pra depois, leiam já!

"A coragem não pode ser deixada como ossos num saco. Deve ser tirada para fora e mostrada à luz repetidamente, ficando mais forte a cada vez. Se você acha que ela vai se manter para quando for necessária, está errado. Se você ignorá-la, o saco estará vazio quando você mais precisar."

Avaliação:




sexta-feira, 30 de setembro de 2016

RESENHA: SPARTACUS - O GLADIADOR

Título: Spartacus - O Gladiador
Série: Spartacus

Páginas: 448
Autor (a): Ben Kane
Editora: Agir (2014)

Sinopse: Após uma década no exército romano, Spartacus finalmente retorna à sua terra natal, mas o que encontra é somente traição. Kotys, o novo rei da Trácia, é um tirano usurpador apaixonado pela sacerdotisa Ariadne, e quando percebe que ela ama Spartacus, vende o casal como escravos para os romanos. Comprado pelo dono de uma escola de gladiadores, Spartacus se vê em um mundo de sangue e areia, onde é preciso enfrentar diariamente diversas facções de treinadores, lutadores fortes e influentes, as barbaridades da arena e a iminência de uma morte terrível. É só graças à inteligência e à imensa força física que ele consegue resistir às impiedosas batalhas, sem jamais se dobrar à brutalidade da sociedade romana. Enfrentando dia após dia os perigos, a sujeira e o caos dessa majestosa república, logo percebe que precisa se unir ao poderoso gladiador Crixus em uma guerra sangrenta entre escravos e senhores se quiser conquistar a maior das glórias: a liberdade. Embora a verdadeira história de Spartacus ainda seja um mistério, o gladiador de origem trácia ficou conhecido por liderar um exército de escravos que por pouco não levou abaixo a república romana. Fonte de inspiração para muitos, ele se tornou um símbolo da luta de classes oprimidas pela conquista da liberdade.

Meu primeiro contato com Spartacus foi com o filme homônimo lançando em 1960. Dirigido por Stanley Kubrick e com Kirk Douglas no elenco, o filme foi um sucesso de público e arrecadou 60 milhões de dólares em todo o mundo. Depois disso, só fui ouvi o ouvi o nome Spartacus novamente quando um colega da faculdade me indicou uma série (também homônima) produzida pela Starz. Essa é simplesmente uma das melhores séries que eu já assisti em toda a minha vida. Depois disso eu fui atrás de livros sobre o escravo e me deparei com essa obra escrita por Ben Kane em 2014.


De volta à sua terra natal após um longo tempo ocupando as fileiras do exército romano, Spartacus descobre a traição de Kotys, o atual rei da Trácia, que assassinou o antigo regente e usurpou o trono.

Revoltados com a atual situação de sua terra, Spartacus e mais um grupo de guerreiros leais decidem agir contra o tirano. Infelizmente, um dos guerreiros não era tão leal quanto parecia, e acaba traindo o grupo contando seus planos ao usurpador, que envia soldados para capturar os rebeldes. Spartacus e seus homens são presos e condenados à morte por açoitamento. (Aqui entra uma personagem importantíssima para o livro. Prefiro não comentar sobre ela para evitar spoilers).

Durante o cumprimento da sentença, um comerciante chega à Trácia em busca de escravos que possam se tornar lutadores em Roma. Ganancioso, Kotys vê ali uma oportunidade de se livrar de Spartacus e seus homens e lucrar com isso. Os guerreiros são vendidos e iniciam uma viagem até o ludo de Batiatus, em Roma, onde receberão o treinamento necessário para se tornarem gladiadores.



Spartacus e seus companheiros não são muitos bem recepcionados em sua chegada ao ludo, e o protagonista já cria uma rixa com os gladiadores veteranos, que o provocam de todas as maneiras possíveis.

Com o passar do tempo, Spartacus passa a ser reconhecido como líder por alguns homens e começa a arquitetar um plano para fugir do ludo e libertar todos os escravos. Para isso ele precisará do apoio dos demais líderes: Oenomaus, Crixus, Castus e Gannicus. Como já é de se esperar, a missão de convencer cada um desses homens a se rebelarem contra o ludo não é nada fácil, mas com um pouco de persuasão e força bruta, tudo se resolve.

Com um bom contingente de gladiadores em seu apoio, Spartacus coloca o plano em ação, mas é traído por um dos escravos que avisa Batiatus sobre a fuga, causando assim uma matança dentro do ludo.

Spartacus consegue escapar com 71 gladiadores, e é aí que o mito ganha vida.



Logo no início já podemos notar que a obra de Ben Kane é muito diferente de tudo aquilo que vimos no filme e na série. Isso não é ruim, pois é sempre legal ver uma história que "conhecemos" sob um ponto de vista diferente.

Spartacus - O Gladiador é narrado em terceira pessoa sob pontos de vista de escravos e romanos. O ritmo do livro é bem agitado, tendo leves quedas quando a narrativa se alterna para o ponto de vista de Ariadne, mas não se preocupe, pois a qualidade se mantém.

Os personagens de Ben Kane são excelentes. Spartacus não é o mocinho do livro, tampouco o vilão. O soldado trácio é dono de uma personalidade fortíssima e uma inteligência extrema, e podemos notar um bom desenvolvimento em suas atitudes durante a leitura. Ariadne é dona de uma personalidade forte, que quebra todos os estereótipos de personagens femininas que vemos (ou víamos) por aí. É uma das personagens mais importantes de todo o livro, pois suas "orações" ditarão o andamento da campanha de Spartacus contra Roma. Carbo foi, a meu ver, a maior surpresa em todo o livro. É o personagem no qual podemos notar o maior desenvolvimento em personalidade e técnicas de batalha. Os demais personagens também foram muito bem criados e desenvolvidos, mas os que merecem destaque são: Navio, Gannicus, Castus, Crixus.

O livro é repleto de batalhas, sejam elas contra os romanos ou entre os escravos, e Ben Kane não economizou palavras na hora de descrever a violência existente em cada uma delas. Além disso, o escritor narra as estratégias com maestria, o que permite um melhor aproveitamento no momento em que o leitor está visualizando a cena.

A fé está presente em todo o livro, desde a primeira à última página. Romanos e escravos estão sempre clamando a seus deuses, pedindo bençãos e afins. É interessante ressaltar que a campanha de Spartacus com os escravos é baseada somente na vontade dos deuses.

Por fim, gostaria de indicar esse livro àqueles que apreciam a história romana e querem conhecer um pouco mais sobre o escravo que se tornou herói. Também gostaria de indicar a série Spartacus (Blood and Sand - Gods of the Arena - Vengeance - War of the Damned).


Avaliação:



quinta-feira, 8 de setembro de 2016

RESENHA: A SOMBRA DO CORVO - A CANÇÃO DO SANGUE

Título: A Canção do Sangue
Série: As Sombra do Corvo
Páginas: 656
Autor (a): Anthony Ryan
Editora: LeYa (2014)

Sinopse: Quando Vaelin Al Sorna, um garoto de apenas 10 anos de idade, é deixado por seu pai na Casa da Sexta Ordem, ele é informado que sua única família agora é a Ordem. Durante vários anos ele é treinado de forma brutal e austera, além de ser condicionado a uma vida perigosa e celibatária. Mesmo assim, Vaelin resiste e torna-se líder entre seus Irmãos. Ao longo de sua jornada, Vaelin também descobrirá de quem foi o verdadeiro desejo para que ele fosse entregue à Ordem - o objetivo sempre foi protegê-lo, mas ele não tem ideia do quê. Aos poucos, indícios de uma esquecida Sétima Ordem e questões acerca das ações do Rei Janus fazem Vaelin Al Sorna questionar sua lealdade. Destinado a um futuro grandioso, ele ainda tem que compreender em quem confiar. Neste primeiro volume da trilogia A Sombra do Corvo, Anthony Ryan estreia de maneira promissora com uma aventura repleta de ação.



A Canção do Sangue, livro que inicia a trilogia A Sombra do Corvo, foi um dos lançamentos mais aclamados de 2014. Em meio a tantos lançamentos de grandes nomes da literatura fantástica, Anthony Ryan conseguiu destaque e hoje é considerado um dos maiores escritores de fantasia da atualidade. Sem enrolações, já posso adiantá-los de que esse foi um dos melhores livros que li esse ano (ficando atrás apenas de A Roda do Tempo, série pela qual me apaixonei perdidamente).


"— A lealdade é nossa força."

Vaelin Al Sorna, também conhecido como Eruhin Makhtar, o Matador do Esperança, está sendo levado a um julgamento por combate, onde deverá responder por todos os crimes que cometeu num passado não tão distante e, provavelmente, encontrar o destino que todos almejam para o filho do ex-Senhor da Batalha: a morte.


Tendo como companheiro de viagem o escriba imperial Verniers, Vaelin decide contar um pouco de sua história, revelando segredos nunca antes imaginados e omitindo verdades que poderiam valer uma vida. E assim começa a nossa história.

*     *     *

Ainda de luto pela morte de sua mãe, Vaelin segue seu pai, o Senhor da Batalha, um homem de pouquíssimas palavras, em uma viagem até a casa da Sexta Ordem, um grupo militar religioso que treina seus guerreiros para defenderem a Fé do Reino, e é lá, na casa da Sexta Ordem, que Vaelin é abandonado por seu pai para ser treinado nas artes da guerra.


Sem entender os motivos que levaram seu pai a abandoná-lo, Vaelin é colocado em um grupo com outros garotos recém chegados que possuem a mesma idade que ele. Todos esses garotos também foram abandonados na porta da Sexta Ordem por suas famílias e guardam as mágoas. Logo de início eles são ensinados que, à partir do momento em que foram largados para a Sexta Ordem, suas antigas famílias morreram. A Sexta Ordem é a nova (e única) família de todos aqueles que nela ingressam.

Os novatos iniciam um treinamento rígido e brutal, onde, antes de aprender a arte de matar, deverão saber como se livrar da morte, e para isso eles são enviados para testes de sobrevivência na natureza.

Em um desses testes de sobrevivência, Vaelin encontra um lobo na floresta e, logo após esse encontro, sofre uma tentativa de assassinato. É aí que Vaelin sente algo estranho dentro de si mesmo, algo como uma intuição que o avisa sobre os perigos que ainda estão por vir, algo que o indica qual direção tomar quando estiver perdido, algo mágico. Esse dom, essa intuição é chamada de Canção.


Ao finalizar o teste e retornar à Ordem, Vaelin começa a se questionar  sobre os motivos que levariam alguém a querer matá-lo, quem desejaria vê-lo morto e, o mais intrigante, por que fora enviado à Ordem?

O tempo vai se passando e Vaelin e seus irmãos de Fé vão encarando os testes e enfrentando treinamentos cada vez mais pesados, onde aprendem a usar todo e qualquer tipo de arma criada pelo homem, aprendem z arte da cavalaria, estratégias de combate, combates desarmados e até como forjar sua própria arma. Cada um dos irmãos de Vaelin se destaca em uma modalidade diferente: Vaelin é o melhor espadachim; Caenis conhece a natureza como um lobo; Nortah é o melhor cavaleiro; Barkus leva vantagem em combates desarmados; Dentos é o melhor arqueiro do grupo. A amizade entre os irmãos cresce e se fortalece cada vez mais.

*     *     *

Tempos depois, já confirmado como irmão da Sexta Ordem, Vaelin não vê outra opção a não ser pedir a ajuda do Rei Janus para uma causa. O Rei concede a ajuda, mas estabelece alguns critérios que são aceitos por Vaelin, que a partir desse momento está imerso em tramas políticas e religiosas. É aí que se inicia a lenda de Vaelin Al Sorna, o Beral Shak Ur, o Matador do Esperança, Irmão da Sexta Ordem e filho do ex-Senhor da Batalha do Rei.


Anthony Ryan dividiu esse primeiro livro da trilogia A Sombra do Corvo em 5 partes compostas por, no máximo, 12 capítulos. No início de cada parte temos um Relato de Verniers, que é uma parte da história contada sob o ponto de vista do escriba imperial durante a viagem até o local onde acontecerá o combate. Esses relatos são narrados em primeira pessoa. Quando partimos para a história de verdade, essa é narrada em terceira pessoa sob o ponto de vista de Vaelin Al Sorna.

Durante a primeira parte da obra, podemos notar uma leve semelhança com A Crônica do Matador do Rei, mas não pense que a infância de Vaelin se desenvolve de forma monótona como a de Kvothe. Esse pode ter sido o ponto mais forte de todo o livro: o desenvolvimento do personagem principal em sua infância. Fiquem sabendo também que, além de ter desenvolvido o personagem principal com maestria, Ryan também o fez com os secundários.

As religiões que Anthony Ryan criou são muito interessantes. De um lado temos a , que crê na vida após a morte e venera os Finados como se fossem deuses. De outro lado temos os praticantes da religião "pagã" do livro, as Trevas, onde os seus seguidores veneram deuses em cultos regulares. Junto às Trevas também podemos encaixar o sistema de magia do livro, que é bem complexo, mas muito interessante. No livro as magias são chamadas de Dons, e existem diversos tipos: cura, comunicação, persuasão e muitos outros. Vou destacar aqui o Dom da Canção. A Canção é como se fosse um instinto, ela "canta" para você se algum perigo está próximo, aumenta a sua sensibilidade com o sentimento das pessoas ao seu redor, permitindo desse modo que você saiba, por exemplo, se uma pessoa está mentindo ou não.

Tramas políticas não podem estar de fora de um livro dessa magnitude, e em A Canção do Sangue elas são bem presentes e possuem certa ligação com os muitos conflitos religiosos.

Além da excelente inserção dos personagens masculinos na obra, Anthony Ryan teve o cuidado de inserir personagens femininas com personalidades fortíssimas e um grau de importância gigantesco para a série. Como exemplos eu posso citar a manipuladora Princesa Lyrna, Sella, a garota muda e enigmática que Vaelin encontra em um dos testes de sobrevivência, e a marrenta, porém muito carismática Irmã Sherin, que possui habilidades que contrastam com as de Vaelin, sendo desse modo uma personagem para se ficar de olho.

As batalhas descritas por Anthony Ryan me lembraram um pouco o estilo de Bernard Cornwell. Ryan vai direto ao ponto, sem enrolações, descrevendo as estratégias e habilidades usadas.

Por fim, preciso dizer que uma das coisas que mais me impressionou nesse livro foi o relacionamento de Vaelin com seus irmãos de Fé. O laço de amizade fortíssimo, a lealdade conquistada, as mentiras contadas para salvar a vida de um irmão. Confesso que em algumas partes a emoção quase tomou conta de mim. O trabalho de Anthony Ryan é lindo.

Avaliação:







domingo, 31 de julho de 2016

RESENHA: A BUSCA DO GRAAL - O ARQUEIRO

Título: O Arqueiro
Série: A Busca do Graal
Páginas: 444
Autor (a): Bernard Cornwell
Editora: Record (2011)

Sinopse: Bernard Cornwell usa como cenário a Guerra dos Cem Anos para dar início à uma saga empolgante. Acompanhe a trajetória do jovem guerreiro Thomas que, aos 18 anos, vê o pai morrer em seus braços num ataque-surpresa à cidade de Hookton. Um lugar simples que escondia um grande segredo: a lança usada por São Jorge para matar o dragão. Em busca de vingança, o rapaz, arqueiro habilidoso, junta-se ao exército inglês em campanha na França, onde se envolve em batalhas e aventuras que, sem perceber, lançam-no em busca do Santo Graal.

*Livro lido na Maratona Parede de Escudos

Após a leitura do livro O Rei do Inverno, decidi me aventurar ainda mais no período medieval sob a narrativa de Bernard Cornwell e me deparei com essa excelente obra. O Arqueiro é o primeiro livro da trilogia A Busca do Graal, que é muito aclamada entre os leitores do gênero.



Durante uma vigília na véspera do domingo de Páscoa, franceses invadem a cidadezinha de Hookton em busca de um artefato religioso que está sob os cuidados de um padre. Em meio ao caos, os franceses encontram o tal artefato e matam o seu guardião.

Thomas, um rapaz de 18 anos que possui uma incrível habilidade no manejo do arco longo, assiste o assassinato de seu pai e, escondido, consegue acertar uma flecha em um dos assassinos, matando-o. Já livre da ameaça francesa, Thomas vai ao encontro de seu pai moribundo e promete que recuperará o artefato que é de sua família por direito.

A partir daí, Thomas ingressa no exército inglês, tornando-se um dos temidos soldados que preenchem as fileiras de arqueiros, e sua aventura começa!


Realista, sangrento e com referências históricas excelentes. São esses três pontos que fazem O Arqueiro ser um livro fantástico!

O livro possui uma narrativa bem detalhista em terceira pessoa, que se alterna entre diferentes pontos de vista. Em alguns desses pontos de vista podemos notar uma quebrada no ritmo da história, mas não é nada muito grave, pois o ritmo vai voltando aos poucos (uma das características de Bernard Cornwell).

O nosso protagonista é um dos pontos mais fortes do livro. Thomas é um personagem indeciso, cético, repleto de dilemas e vive paixões com a mesma intensidade com que as esquece. O arqueiro se encaixa mais no estereótipo do anti-herói do que do herói propriamente dito.

Assim como Thomas, os demais personagens do livro são bem interessantes, mas uns são mais desenvolvidos do que outros. Destaque especial para Guillaume d'Eveque, Blackbird (uma personagem feminina de personalidade forte) e padre Hobbe.

Já sabemos que Bernard Cornwell narra batalhas como ninguém, mas nesse livro ele se supera, pois usa como base a incrível Batalha de Crécy, batalha essa que deu início à Guerra dos Cem Anos, disputada entre França e Inglaterra. As estratégias de batalha são inseridas com maestria e a descrição dos arqueiros em atividade é fantástica!


O Arqueiro é o livro onde podemos ver com exatidão a habilidade que Bernard Cornwell possui em criar personagens fictícios e inseri-los dentro de histórias verídicas. É um livro para pessoas que gostam de história e anseiam sempre por mais conhecimento.

Avaliação:



segunda-feira, 11 de julho de 2016

RESENHA: AS CRÔNICAS DE ARTUR - O REI DO INVERNO

Título: O Rei do Inverno
Série: As Crônicas de Artur
Páginas: 546
Autor (a): Bernard Cornwell
Editora: Record (2008)

Sinopse: O Rei do Inverno conta a mais fiel história de Artur, sem os exageros míticos de outras publicações. A partir de fatos, este romance genial retrata o maior de todos os heróis como um poderoso guerreiro britânico, que luta contra os saxões para manter unida a Britânia, no século V, após a saída dos romanos. "O livro traz religião, política, traição, tudo o que mais me interessa," explica Cornwell, que usa a voz ficcional do soldado raso Derfel para ilustrar a vida de Artur. O valoroso soldado cresce dentro do exército do rei e dentro da narrativa de Cornwell até se tornar o melhor amigo e conselheiro de Artur na paz e na guerra.

*Livro lido na Maratona Parede de Escudos

Iniciei a Maratona Parede de Escudos com a trilogia As Crônicas de Artur. O Rei do Inverno, livro que dá início à trilogia, nos apresenta uma história mais crível do mito arturiano, repleta de ótimas batalhas e conflitos políticos.

Derfel Cadarn.
Derfel Cadarn foi um dos cavaleiros mais leais de Artur, mas, anos após as muitas batalhas que lutou com seu senhor, encontra-se em um monastério como um dos monges do Deus cristão. À pedido de sua rainha, a Sra. Igraine, Derfel contará toda sua trajetória, desde antes de se tornar um dos cavaleiros daquele que é o personagem mais conhecido de todas as histórias medievais. Em sua história, Derfel derrubará todos os mitos e fantasias que existem na história do Rei Artur.

* * *

Após o nascimento de Mordred (filho), o único herdeiro legítimo da Dumnonia, o Grande Rei Uther, o Pendragon, convoca o Grande Conselho para decidir quem, após sua morte, assumirá os cuidados de seu neto até que o mesmo tenha idade suficiente para subir ao trono. Artur, filho bastardo de Uther, a quem o Grande Rei culpa pela morte de Mordred (pai), é escolhido por votação para garantir a segurança do pequeno príncipe, que está em Ynys Wydryn.

Pouco tempo após o conselho, o Grande Rei morre, causando um esfacelamento da Britânia, que, além de lutar para impedir as invasões saxãs, também precisará lutar por questões políticas.

É aí que Artur exercerá seu papel de protetor do pequeno rei e impedir o avanço saxão, além, é claro, de tentar eliminar as várias ameaças para destruir as alianças que mantém a Britânia unida.


Eu estava com saudades da escrita genial de Bernard Cornwell. Nesse livro ele nos presenteia com uma excelente narrativa em primeira pessoa. Apesar de ser uma história arturiana, O Rei do Inverno não é narrado sob o ponto de vista de Artur, Morgana, Nimue, Merlin, Lancelot ou qualquer outro personagem famoso do mito, mas sim por um personagem fictício criado pela mente brilhante de BC: Derfel Cadarn.

Uma coisa que vale ser ressaltada aqui é: mesmo com toda a admiração que Derfel sente pelo seu líder, ele não esconde as muitas falhas de Artur.

Por falar em Artur, ele é um personagem fantástico, que está sempre dividido entre coração e dever. Cornwell criou um personagem extremamente humano que está sempre em busca do melhor para o reino, mas que muitas vezes comente erros. Artur é dono de uma personalidade altruísta e pacifista, ele sempre vai tentar evitar uma guerra se houver chances dela ser evitada, mas não se engane, pois ele também pode ser arrogante, egoísta e muito manipulador. Os demais personagens também foram muito bem construídos, mas poucos tiveram o destaque e desenvolvimento merecido.

É impossível resenhar alguma obra de Bernard Cornwell sem citar as perfeitas batalhas. Cornwell narra as batalhas com maestria e detalhamento, o que tem o poder de transportar o leitor para o meio de uma parede de escudos.

Pra finalizar a resenha, deixo com vocês essa citação maravilhosa sobre o destino:

"Mas o destino, como Merlin sempre nos ensinava, é inexorável. A vida é uma brincadeira dos Deuses, costumava dizer Merlin, e não existe justiça. Você precisa aprender a rir, disse-me ele uma vez, ou então vai simplesmente chorar até morrer."

Avaliação:



quinta-feira, 23 de junho de 2016

RESENHA: MISERY - LOUCA OBSESSÃO

TítuloMisery - Louca Obsessão
Páginas: 326
Autor (a): Stephen King
Editora: Suma de Letras (2014)

Sinopse: Paul Sheldon descobriu três coisas quase simultaneamente, uns dez dias após emergir da nuvem escura. A primeira foi que Annie Wilkes tinha bastante analgésico. A segunda, que ela era viciada em analgésicos. A terceira foi que Annie Wilkes era perigosamente louca. Paul Sheldon é um famoso escritor reconhecido pela série de best-sellers protagonizados por Misery Chastain. No dia em que termina de escrever um novo manuscrito, decide sair para comemorar, apesar da forte nevasca. Após derrapar e sofrer um grave acidente de carro, Paul é resgatado pela enfermeira aposentada Annie Wilkes, que surge em seu caminho. A simpática senhora é também uma leitora voraz que se autointitula a fã número um do autor. No entanto, o desfecho do último livro com a personagem Misery desperta na enfermeira seu lado mais sádico e psicótico. Profundamente abalada, Annie o isola em um quarto e inicia uma série de torturas e ameaças, que só chegará ao fim quando ele reescrever a narrativa com o final que ela considera apropriado. Ferido e debilitado, em 'Misery - Louca obsessão', Paul Sheldon terá que usar toda a criatividade para salvar a própria vida e, talvez, escapar deste pesadelo.

Após IT: A Coisa, eu volto aqui com mais uma resenha do mestre Stephen King. Como é do conhecimento de muitos, o escritor possui mais de 50 livros lançados e ainda continua em atividade. Misery foi lançado originalmente em 1987. Em 1990, um filme homônimo inspirado na obra foi lançado. O filme rendeu à Kathy Bates o Oscar de melhor atriz.

"Eis uma mulher que tinha sido enfermeira - disso ele tinha certeza. Ela ainda era enfermeira? Não, porque não saia pra trabalhar. Por que ela já não trabalhava? Ela certamente não batia bem; dava para ouvir os parafusos soltos chacoalhando quando ela mexia a cabeça. Se aquilo era óbvio pra ele, mesmo em meio à névoa de dor em que vivia, certamente teria sido óbvio para os colegas de trabalho."

O escritor Paul Sheldon sofre um acidente de carro e desperta de um "coma" dois dias depois com dores excruciantes em seus membros inferiores e impossibilitado de se locomover. Paul descobre que está sob os cuidados da ex-enfermeira Annie Wilkes, uma mulher psicologicamente instável e terrivelmente perigosa que se autointitula sua fã número um.

As coisas começam a desandar quando Annie finaliza a leitura do último livro da série mais famosa de Paul: Misery. A ex-enfermeira não se conforma com a tragédia que custou a vida de sua personagem favorita e faz com que Paul corrija seu erro e traga-a de volta à vida em um novo livro, mas com uma condição: somente ela poderá ler esse novo exemplar da série Misery.

Para conseguir o que quer, Annie utilizará de métodos aterrorizantes. Aos poucos, os medos de Paul não se resumem em perder a vida, mas sim viver sob o mesmo teto que a psicopata, sádica e violenta Annie Wilkes.


Narrado em terceira pessoa, sob o ponto de vista de Paul Sheldon, Misery é um livro que nos apresenta as loucuras de uma mente obsessiva e psicopata ao mesmo tempo em que discorre sobre os processos de escrita.

Misery é um livro onde a história é focada em dois personagens, uma coisa muito diferente do que costumamos ver nas obras do mestre, que é famoso por apresentar mais e mais personagens a cada página. King desenvolve muito bem as personalidades desses dois personagens.

Annie Wilkes é uma vilã criada com maestria. Posso arriscar e dizer que foi uma das melhores vilãs que eu já tive o prazer de ler. Annie apresenta transformações de personalidade, lapsos de memória, instabilidade psicológica e mais uma maré de problemas que fazem com que suas atitudes sejam totalmente desconhecidas.


Stephen King tem a fama de transmitir medo em suas obras, e Misery não é diferente. Esse medo não é proveniente de criaturas ou entidades sobrenaturais, mas sim de uma mente desequilibrada.

Não tenho o que reclamar da edição. Diagramação excelente e revisão impecável.

Se você gosta desse tipo de livro e tem estômago para lê-lo, vá em frente.

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