segunda-feira, 28 de março de 2016

RESENHA: CICLO DAS TREVAS - A LANÇA DO DESERTO

Título: A Lança do Deserto
Série: Ciclo das Trevas #2
Páginas: 736
Autor (a): Peter V Brett
Editora: DarkSide Books (2015) *livro cedido pela editora*

Sinopse: O sol está se pondo sobre a humanidade. A noite agora pertence aos demônios vorazes, que se alimentam de uma população cada vez menor, obrigada a se esconder atrás de símbolos esquecidos de poder. As lendas falam de um Salvador: um general que certa vez reuniu toda a humanidade e derrotou os demônios. Mas seria o retorno do Salvador apenas mais um mito? Ahmann Jadir é o líder das tribos reunidas do deserto. Sua lança e sua coroa ancestrais são os argumentos de que precisa para proclamar a si mesmo Shar’Dama Ka, o Salvador. Os habitantes do norte discordam. Para eles, o Salvador não é outro senão o Arlen Bales, Protegido. Houve um tempo em que Shar’Dama Ka e o Protegido eram amigos. Agora são adversários violentos e cruéis. Mesmo que antigas lealdades sejam colocadas à prova e novas alianças sejam criadas, a humanidade ainda não tem consciência do aparecimento de uma nova espécie de demônio, mais inteligente e mortal que todos os que existiam até então. Ainda existe luz na escuridão. Use-a para enfrentar os demônios do Ciclo das Trevas.

*Pode conter spoilers.

Quando pensamos que uma coisa não pode melhorar, somos totalmente surpreendidos. O Protegido foi uma das obras que eu mais tive prazer em ler, tanto que o livro estampou a minha lista de melhores leituras de 2015. Com A Lança do Deserto não foi diferente.

Em O Protegido somos apresentados aos  personagens que formam a espinha dorsal da trama: Arlen, Leesha e Rojer. Acompanhamos os três desde a infância até a vida adulta. Conhecemos também outros personagens que foram pouco explorados e serão mais bem apresentados e explorados nesse segundo volume. Um deles, e o que mais me chamou a atenção foi Ahmann Jardir. Se vocês estiverem pensando naquele mesmo Jardir que traiu Arlen e roubou sua lança protegida, estão certos.

Logo após o prólogo do livro somos inseridos na Cidade Livre de Forte Rizon, lugar onde se encontra Jardir, agora Shar'Dama Ka, que está tentando trilhar os mesmos passos de Kaji, o antigo Salvador, e unir todos os terraverdenses para lutar a Guerra Diurna.

A primeira parte do livro é inteiramente dedicada a Jardir. Nela conhecemos mais sobre sua infância sofrida, sua relação com o khaffit Abban, sobre as dificuldades que ele teve de enfrentar para se tornar dal'Sharum e como ele conseguiu a ascensão ao posto de Sharum Ka e, mais tarde, ao posto de Shar'Dama Ka.
Ahmann Jardir, o Shar'Dama Ka.
Após conhecermos tudo sob o ponto de vista de Jardir, voltamos para os personagens principais. Depois da batalha na Clareira do Lenhador, os habitantes decidiram mudar o nome do lugarejo para Clareira do Salvador. Leesha e Rojer estão se esforçando para ensinar suas técnicas para os moradores da Clareira. Ela ensina as artes da cura e de desenhar proteções enquanto ele ensina a técnica de enfeitiçar demônios com a música da rabeca.

O Protegido se afasta de todos e quase nunca é visto. Ele teme estar se tornando aquilo que mata.

Muitos refugiados de Rizon começam a chegar à Clareira em busca de abrigo, já que sua cidade foi tomada pelo exército krasiano. Após uma reunião do Conselho, Arlen e os outros decidem ir até Angiers alertar o duque sobre o avanço krasiano e negociar para que ele abra seus portões e dê abrigo aos refugiados.
Renna Curtidor, aquela garotinha que foi prometida a Arlen no primeiro livro, volta a aparecer. Todas as suas irmãs já estão casadas e agora é ela quem sofre com as atitudes de seu pai.
Renna Curtidor.
Brett nos presenteou com uma continuação que supera, em partes, o primeiro livro.

Um dos pontos mais fortes de A Lança do Deserto é a história contada sob o ponto de vista de Jardir. Com isso, nós conseguimos eliminar aquela imagem de vilão das nossas mentes e passamos a entender os motivos pelos quais ele roubou a lança de Arlen e abandonou o garoto no deserto à mercê dos demônios. Nessa parte contada sob o ponto de vista de Jardir, nós também conhecemos sua esposa Inevera, uma Dama'ting que é importantíssima na ascensão do guerreiro. O desenvolvimento de Jardir desde sua infância até a vida adulta é magnífico!

Renna Curtidor é uma personagem que merece destaque. A garota sofre com os abusos do pai, o que dá forças para que ela se torne o que encontramos nas partes finais do livro.

"— Fique de cabeça erguida na Noite por mim, menina. Fique de cabeça erguida por todas as mulheres de Angiers e nunca deixe ninguém, homem ou mulher, fazer você se curvar."

Os nossos personagens principais também tiveram um desenvolvimento bem bacana. Leesha se mostra muito mais forte e inteligentíssima, podendo desenhar redes de proteções tão bem quanto o Protegido. Ela é a responsável por quase todas as tarefas da Clareira e por todos aqueles que não se dão bem na Noite. Rojer Faltadedo, apesar de ser o mesmo de sempre, está mais decidido e menos acovardado. Por causa de seu dom incomum, é um dos personagens que mais me intriga. Arlen continua negando que é o Salvador e está passando por momentos difíceis. Aos poucos podemos ver o antigo Arlen voltando à vida, mas ele logo é bloqueado pelo Protegido.

Além dos demônios que já conhecíamos, alguns novos são inseridos na trama. Os demônios da mente se mostram extremamente perigosos, muito mais perigosos que qualquer demônio da rocha. Juntos de seus mímicos (demônios que podem assumir QUALQUER FORMA), os Príncipes das Profundas conseguem controlar as mentes das pessoas que não possuem proteções fortes o bastante para barrá-los, sem contar que eles também conseguem visualizar as brechas de uma rede de proteções e atravessá-la como se não houvesse nada ali.

O sistema de magia também se torna mais complexo. As proteções não servem somente para criar redes de defesa, ou armas para atacar demônios. Elas possuem muitas outras utilidades que você só saberá quando ler o livro.

A revisão da DarkSide foi muito melhor do que a revisão de Os Senhores dos Dinossauros. Gostei bastante de terem mantido o sistema de fala por travessões. Quanto ao trabalho de capa, eu nem preciso comentar. Tudo está no padrão DarkSide de qualidade!

Avaliação:
    

  • O Protegido - #1
  • A Lança do Deserto - #2
  • The Daylight War - #3
  • The Skull Throne - #4
  • The Core - #5

14 comentários:

  1. Blz, Phelipe?
    Vejo que preciso começar urgente a ler O Ciclo das Trevas. Cada vez mais esse livro está me sugando. Parabéns pela resenha!
    Abraço

    Leitor Noturno e Coisas de Um Leitor

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Tudo ótimo, Matheus!
      Tá na hora de largar essa heresia, não é? HAUHAUHUA

      Abraços!

      Excluir
  2. A parte do Jardir é a melhor do livro, muito bom ver a história pelo ponto de vista dele.

    http://desbravandolivros.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Concordo com você, Vagner. Meu pensamento mudou muito após conhecer toda a história contada a partir do ponto de vista dele. Ali a gente conseguiu entender os motivos que levaram ele a fazer o que fez em O Protegido.

      Abração, Vagner!

      Excluir
  3. Estou muito ansiosa para mergulhar em "A Lança do Deserto"! Bom saber também que a revisão melhorou, ela tinha me decepcionado um pouco em "O Protegido".

    Gostei da sua resenha, parabéns e boa sorte com o blog!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Bem-vinda, Laís! A revisão melhorou muuuuuuuuito! Claro que ainda existem alguns errinhos, mas não é nada tão gritante assim. Olha, mergulha de cabeça n'A Lança do Deserto. Até o momento é o melhor livro de 2016.

      Um beijo, Laís! Obrigado pelo votos de boa sorte :)
      Volte sempre aqui o/

      Excluir
  4. Viva, Phelipe.
    Que ótima opinião. Esta é uma saga que ainda não me convenci a ler, mas com essas opiniões fica difícil resistir :) Assim como Abercrombie e Rothfuss, Brett é um dos autores que deverei iniciar nos próximos meses. :)

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, Nuno!
      Brett está na minha lista de melhores autores de fantasia da atualidade. O worldbuilding, o sistema de magia, as criaturas e os personagens que ele criou são simplesmente fenomenais!
      Leia o quanto antes, meu amigo!

      Abraços!!

      Excluir
  5. Olá Phelipe, órima resenha e parabéns pelo blog!

    Realmente os livros da Darkside são pra lá de caprichados. o pessoal sabe mesmo agradar seus leitores/colecionadores kkk

    Ainda não tive a oportunidade de ler O Ciclo das Trevas, mas espero iniciar a leitura em breve. Pelo que ando lendo por aí, a saga promete. Você reforçou ainda mais essa percepção!

    Forte abraço!
    radiosintoniacult.blogspot.com.br
    baudoarquimago.blogspot.com

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Promete sim, Wagner! Brett criou tudo com uma maestria incrível! Vamos combinar uma coisa? Eu ainda não tive a oportunidade de ler Discworld, mas quero muito entrar no universo criado por Pratchett. É o seguinte: eu leio Discworld e você lê Ciclo das Trevas. Combinados? HAUAUHUAHA

      Um forte abraço, cara!

      Excluir
    2. Combinado sim!
      kkk

      Assim que possível, vou mergulhar na leitura do Ciclo!

      Valeu!

      Excluir
  6. Respostas
    1. Não passe vontade, Thalita! A série é excelente e os livros seguintes prometem!

      Beijão!

      Excluir