terça-feira, 1 de março de 2016

RESENHA: O DUELO DOS REIS

Título: O Duelo dos Reis
Série: A Primeira Lei #3

Páginas: 576
Autor (a): Joe Abercrombie
Editora: Arqueiro (2015)

Sinopse: 
A União está em guerra. Ao norte, o coronel West e suas tropas recuperaram a fortaleza de Dunbrec, mas a batalha pode se arrastar por anos, porque o rei dos nórdicos não irá se render. É hora de Nove Dedos voltar e enfrentar seu pior inimigo. O problema é que, no calor da batalha, nunca se sabe quando o Nove Sangrento surgirá de dentro dele – e o Nove Sangrento não escolhe lado, só quer matar. Na Terra do Meio, uma revolução camponesa por direitos igualitários e participação política desestabiliza os governos locais. Caberá a Jezal dan Luthar negociar a paz e, se preciso, combater o próprio povo. Na capital, com o rei doente e sem herdeiros, os membros do Conselho Fechado começam a comprar apoio dos nobres, numa corrida oculta ao trono. Depois de ter escapado por pouco de Dagoska, Sand dan Glokta precisa sobreviver ao jogo político. Para isso, vai usar os recursos em que é mestre: chantagem, ameaça e tortura. Além disso, tropas gurkenses se movem no sul em direção a Adua, dispostas a travar uma guerra santa e levar Bayaz a julgamento. Para salvar o mundo, o Primeiro dos Magos precisa salvar a si mesmo, porém há riscos enormes quando se mexe com magia. E nada pode ser mais arriscado do que quebrar a Primeira Lei. O duelo dos reis é um épico sombrio e brilhante, um final de tirar o fôlego para a trilogia que redefiniu a literatura fantástica.

*Pode conter spoilers.

Na Borda do Mundo, Bayaz e seu grupo quebram a cara após descobrirem que a Semente não está onde deveria, fazendo com que todos retornem de mãos vazias para Adua. Já em Adua, cada um decide seguir o próprio caminho: Nove Dedos quer voltar para o norte, confrontar Bethod e acabar de uma vez por todas com a guerra; Ferro decide ficar em Adua com Bayaz e Quai, ainda sedenta por vingança; Jezal quer se reencontrar com Ardee e precisa pensar se continua ou não seguindo sua carreira militar.

No norte, West e o exército da União, juntamente de Cachorrão e seus Carls, conseguem retomar o domínio sobre a fortaleza de Dunbrec, fazendo com que Bethod busque refúgio mais ao norte. Cabe a eles irem atrás do autoproclamado rei dos nórdicos e livrar de vez o norte de suas ameaças.

Na capital, o rei Guslav V está doente e sem herdeiros, fazendo com que Adua vire o cenário de um jogo político repleto de intrigas para que o Conselho Aberto eleja um novo rei. Vale tudo para ter votos e, a mando do arquileitor Sult, Sand dan Glokta utiliza suas melhores habilidades para conseguir os votos necessários para seu mestre. Como se somente isso não bastasse, após o domínio de Dagoska, as tropas gurkenses marcham para a União.


Um desfecho excelente, onde a maioria das lacunas que foram deixadas nos livros anteriores são preenchidas, mas algumas novas são inseridas.

A evolução de Jezal é algo que foi realmente bem construído. O personagem se desenvolve de uma forma natural, de acordo com as responsabilidades que ele acaba puxando para si e as que caem em seu colo. Responsabilidades. Nada melhor do que isso para moldar um personagem que iniciou a trilogia sendo o mais desprezível possível. É claro que ele não muda completamente quem ele é, mas está sempre tentando ser uma pessoa melhor.

Bayaz foge do estereótipo de mago bonzinho. O Primeiro dos Magos revela todas as suas ambições e mostra quem é de verdade, destruindo tudo o que você poderia pensar a respeito dele no começo da trilogia.

Logen Nove Dedos e Ferro são os personagens que menos se desenvolvem na trilogia. Talvez seja pelo motivo de suas personalidades já serem bem moldadas desde o início, e que uma mudança de comportamento poderia soar como algo "forçado". Nove Dedos continua tentando ser uma pessoa melhor, mas o Nove Sangrento não o deixa em paz. Não existem amigos, mulheres ou crianças quando o Nove Sangrento está em ação, todos perecerão no gume de sua espada.

Ferro, apesar de estar mais "humana", não deixa de lado o seu principal objetivo, mesmo que isso faça com que ela abandone as poucas oportunidades de uma vida diferente que lhe aparecem.

San dan Glokta talvez seja o personagem mais bem construído do gênero. Sempre com o mesmo humor negro e os pensamentos ácidos, vivendo em seu mundo de dor, traição e jogos de poder.


Joe Abercrombie foge da mesmice e foca em nos apresentar os vários defeitos dos personagens ao invés de suas (poucas) qualidades, o que acaba por ser o motivo pelo qual essa obra se aproxima tanto da realidade.

Como já foi dito antes, apesar de preencher diversas lacunas, o autor acrescentou mais algumas. Algumas páginas a mais poderiam fazer uma bela diferença, explicando e contando mais um pouco sobre alguns acontecimentos.

Abercrombie possui uma escrita agradável e refinada, descreve com maestria os cenários criados, as emoções dos personagens e as cenas de tortura. Nos capítulos onde Glokta aparece, seus pensamentos são destacados em itálico, o que facilita demais o entendimento, fazendo com que o leitor não se perca na narrativa.

Os destinos de alguns personagens me agradaram, os de outros nem tanto. Não que eu não tenha gostado, mas ficou por ali mesmo, sem explicação nem nada. Mais um ponto onde algumas páginas a mais fariam muita diferença.

A Primeira Lei é uma trilogia recheada de intrigas políticas, reviravoltas e revelações surpreendentes, batalhas não tão gloriosas e heróis nada convencionais. Agradará aos fãs de fantasia que gostam de um mundo mais verossímil e com personagens que fogem totalmente de tudo aquilo que conhecemos.

"— Não precisa ficar desanimado — falou o irmão Pé Comprido. — Às vezes uma jornada difícil só entrega todos os benefícios muito depois de retornarmos. Os sofrimentos são breves, mas a sabedoria obtida dura a vida inteira!"

Avaliação:



2 comentários:

  1. Acho que umas 50 páginas a mais teriam feito sucesso, mas pelo que ouvi falar algumas dessas lacunas são preenchidas se lermos Best Served Cold, The Heroes e Red Country, que são no mesmo mundo da trilogia e alguns anos depois, mas com personagens totalmente diferentes.

    http://desbravandolivros.blogspot.com.br/

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    1. Pois é, cara! Ainda bem que a Arqueiro vai lançar os outros livros por aqui hauhauuahua.

      Abração!

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