sábado, 4 de junho de 2016

RESENHA: CHAMAS DO IMPÉRIO - O TEATRO DA IRA

Título: O Teatro da Ira
Série: Chamas do Império #1
Páginas: 360
Autor (a): Diego Guerra
Editora: Draco (2016)

Sinopse: "Basta uma faca para começar uma guerra"
Jhomm Krulgar é um ninguém. Um rato de estrada. Um cachorro vadio. Um mastim demoníaco. Sua espada está a venda para qualquer um com moedas no bolso e objetivos escusos. Quando uma garota surge prometendo a riqueza de um rei e a realização dos seus desejos de vingança, ele nem imagina que está prestes a se envolver em um dos mais perigosos jogos políticos de sua era. Agora, ele e Khirk, seu companheiro silencioso, membro de uma antiga raça escrava, partem para o Sul, onde tentarão impedir os rebeldes separatistas de tomar a coroa da maior cidade do Império de Karis. Encontrarão em seu caminho um Magistrado em missão de paz e um mago ilusionista prestes a realizar o maior espetáculo da sua vida. O Teatro da Ira, primeiro romance da série Chamas do Império, de Diego Guerra, é uma viagem fantástica onde criaturas místicas e soldados comuns lutam lado a lado nas paredes de escudo, implorando pela própria vida e alimentando as fogueiras da morte para fazer valer as vontades de reis e nobres. Enquanto Krulgar busca cegamente a sua vingança, não faz ideia de que se tornou apenas mais um dos personagens sombrios deste Teatro da Ira.

Romance de estreia do brasileiro Diego Guerra, O Teatro da Ira é o primeiro livro da série Chamas do Império. Lançado em Janeiro de 2016, O Teatro da Ira foi mais uma aposta da Editora Draco na fantasia nacional. Com uma capa muito bem trabalhada e uma premissa intrigante, O Teatro da Ira furou a minha imensa fila de livros.

Mapa de Qran.
Arteen II, o atual imperador de Karis, move seu exército para conter a ameaça que vem do norte. Um pouco mais ao sul, em Illioth, uma rebelião contra o império começa a tomar forma.

Thalla é filha de Círius, um dos mais importantes mercadores de Karis, e carrega um dom peculiar: ela pode adentrar o sonho de outras pessoas. Com os rumores da possível rebelião que se forma ao sul, Thalla, juntamente de Evhin, sua fiel dhäen, começa a utilizar seu dom com mais frequência, procurando de todas as formas um modo de como impedir que os rumores tornem-se atos consumados.

Jhomm Krulgar - arte feita pelo autor Diego Guerra.
Jhomm Krulgar já conheceu quase todos os males do mundo. Quando pequeno, o mercenário foi perseguido e gravemente ferido por monges do monastério onde morava, tudo isso por conta de uma acusação por um crime que ele não havia cometido. À beira da morte o garoto foi salvo por Khirk, um dhäen que carrega em seu rosto a pior marca para alguém de sua raça: a tatuagem negra. Jhomm está atrás de vingança, e só descansará quando o último brasão estiver riscado de sua lista.

Dhun Marhos Grahan é o braço direito do imperador Arteen e, após tomar conhecimento dos rumores sobre a rebelião contra o império, é encarregado de tentar "amenizar" os ares no sul e entregar alguns presentes ao rei de Illioth.

Ethron e Bahr, mago e aprendiz, também rumam para o sul. O coen está prestes a se apresentar ao rei Thuron, e quer fazer desse o melhor espetáculo de sua vida.

Esses e mais alguns personagens que vão aparecendo no decorrer da trama, são peças de um quebra-cabeça que se juntará aos poucos e decidirá o destino de cada um na trama. Prepare-se para diversas reviravoltas!


Com uma narrativa em terceira pessoa que apresenta diferentes pontos de vista entre os capítulos, Diego Guerra nos entrega uma história excelente. Uma pitada de As Crônicas de Gelo e Fogo com a adição de toques característicos da trilogia A Primeira Lei. O Teatro da Ira é uma trama que envolve conflitos políticos, racismo, traições e muitos outros fatores que compõe o nosso mundo nos dias de hoje,

Os personagens criados por Diego Guerra, muitas vezes, beiram a realidade em suas ações. O desenvolvimento dos principais e a inserção de novos durante a trama é um ponto muito forte. Impossível não comparar nossos atos com os atos dos personagens que encenam O Teatro da Ira.

O autor teve o cuidado de criar novas nomenclaturas para pessoas "do poder". Todos os nobres que não são membros de famílias reais carregam o prefixo Dhun.

Os dhäeni, ou eldani, são uma raça muito semelhante aos elfos. Eles possuem certa aptidão para arco e flecha, técnicas de cura que podem salvar um homem das mãos da morte e também um tipo de magia muito interessante que é feita por meio de música. Segundo os dhäeni (plural de dhäen), o mundo é regido pela Grande Canção, e seus poderes emanam dessa fonte.

"O poder dos dhäeni estava em suas canções. Com suas vozes, podiam acessar a Grande Canção que regia o mundo para que suas vontades fossem feitas. Aquela espécie de magia dhäeni era usada para a cura, o crescimento e o fortalecimento das pessoas. Traziam sabedoria, saúde, colheitas fartas e paz de espírito."

Ainda sobre os dhäeni, eles foram uma raça escrava que foi liberta há 20 anos pelo imperador Arteen. Desde então eles são livres como qualquer outra pessoa, porém, em alguns lugares do império (principalmente na região sul), ainda são escravizados.

Além dos dhäeni, Diego Guerra também inseriu algumas criaturas que são bem interessantes. Os ladrões de vida são os que merecem um maior destaque.

Os acontecimentos finais do livro deixam alguns ganchos para as sequências.

A edição da Draco está lindíssima. Para que tudo esteja melhor nas próximas tiragens, aqui vai uma dica: mais atenção na revisão, pois algumas palavras estão escritas de forma errada, outras estão com letras "comidas" e a acentuação deixou (um pouco) a desejar. No mais, tá tudo muito lindo!

Avaliação:




12 comentários:

  1. Eu nunca imaginei que a literatura fantástica brasileira fosse crescer tanto assim. Mais ou menos em 2013 eu lembro de querer começar a ler alguns, e li Leonel Caldela, Affonso Solano, Raphael Draccon, Eduardo Spohr, e por aí vai... Mas parece que durante um tempo ficou meio estagnado nesses autores mais famosos. É muito bom ver esses novos autores conseguindo espaço. Quanto a resenha, ficou muito boa! O livro já me chamava a atenção pela capa, mas nunca tinha tido contato com a sinopse. Esse lance de substituir termos conhecidos por outros inventados é muito boa ideia, da um "q" de inovador ao livro. Fiquei querendo ler esse livro, agora é só arrumar uma brecha, já que a quantidade de paginas é boa. A leitura é leve ou esse é um livro mais denso?

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    1. Bem-vindo, Leo!
      Pode comprar seu exemplar e lê-lo o quanto antes! A leitura é bem leve e direta, sem enrolações. Também acho bem legal essa inovação que os escritores, nacionais e estrangeiros, fazem com as raças já conhecidas no cenário fantástico.
      Já disse e repito: leia o quanto antes!

      Um forte abraço, Leo! Volte sempre por aqui!

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  2. Bela resenha, Phelipe. Vou tentar encaixar esse livro na lista desse ano.

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    1. Encaixa mesmo, Emerson! Tenho certeza que você irá gostar!

      Um forte abraço!

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  3. Confesso que tinha um certo receio com livros nacionais. Mas coloquei como meta de leitura desse ano conhecer novos autores nacionais e tenho me surpreendido positivamente.
    Adorei a resenha!
    E já anotei esse livro na minha lista de desejados. Preciso me aventurar mais no mundo da literatura fantástica.

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    1. Bem-vinda, Jaqueline!
      Eu também já tive esse pé atrás com obras nacionais, mas não durou muito tempo. Eu estou começando a investir bastante em literatura nacional (diversos gêneros que me agradam) e estou tendo excelentes surpresas!
      Na minha lista de leitura eu já tenho nomes como Jana P. Bianchi, J.M. Beraldo, Eneias Tavares, Eduardo Kasse, Plínio Fontes e etc.
      Pode ler O Teatro da Ira sem medo, Jaqueline.

      Um forte abraço! Volte sempre por aqui.

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  4. Achei a capa muito bem trabalhada também, geralmente acho as capas dos autores nacionais um pouco fracas, mas essa ficou muito boa. Tento sempre ler autores nacionais e fico triste de ver que muitos deles não têm o reconhecimento que merecem. Acho que li poucas coisas desse gênero e ultimamente venho ampliando as minhas leituras e lendo de tudo um pouco. Acho que esse livro é uma boa para me aventurar né? kk
    Adorei a resenha!

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    1. Muito bom ver que a literatura nacional está começando a ser reconhecida por um número maior de leitores.
      Carla, pode ampliar mais e mais a suas leituras no gênero fantástico! Vou deixar aqui alguns blogs que focam nesse gênero e são muito bons para descobrir novos livros:
      Desbravando Livros
      Me Livrando
      INtocados
      Esses são os blogs que eu mais acompanho e indico.
      No dia 11 de Junho, coloque isso na sua busca do Facebook: #espalhefantasia.

      Um abraço, Carla. Obrigado por comentar! Volte sempre por aqui!!

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  5. Sempre bom ver autores nacionais se saindo bem, e com O Teatro da Ira não é diferente. Muito boa história, ansioso pela sequência agora! o/

    http://desbravandolivros.blogspot.com.br/2016/05/resenha-o-teatro-da-ira-diego-guerra.html

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    1. O Teatro da Ira foi uma surpresa e tanto! A qualidade da obra é imensa e a escrita do Diego é muito boa. Assim como você, tô na espera da sequência!

      Um forte abraço. Desbravador!

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  6. A capa já tinha me convencido a ler :p Agora a sua resenha também. Só preciso sair dessas leituras atrasadas e do período de provas que tá me corroendo.
    Ótima resenha!

    Beijos,
    Celly.

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    1. Quando o período de férias chegar, já acrescenta ele na lista. Tenho certeza de que você vai gostar!

      Beijos!

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