quinta-feira, 8 de setembro de 2016

RESENHA: A SOMBRA DO CORVO - A CANÇÃO DO SANGUE

Título: A Canção do Sangue
Série: As Sombra do Corvo
Páginas: 656
Autor (a): Anthony Ryan
Editora: LeYa (2014)

Sinopse: Quando Vaelin Al Sorna, um garoto de apenas 10 anos de idade, é deixado por seu pai na Casa da Sexta Ordem, ele é informado que sua única família agora é a Ordem. Durante vários anos ele é treinado de forma brutal e austera, além de ser condicionado a uma vida perigosa e celibatária. Mesmo assim, Vaelin resiste e torna-se líder entre seus Irmãos. Ao longo de sua jornada, Vaelin também descobrirá de quem foi o verdadeiro desejo para que ele fosse entregue à Ordem - o objetivo sempre foi protegê-lo, mas ele não tem ideia do quê. Aos poucos, indícios de uma esquecida Sétima Ordem e questões acerca das ações do Rei Janus fazem Vaelin Al Sorna questionar sua lealdade. Destinado a um futuro grandioso, ele ainda tem que compreender em quem confiar. Neste primeiro volume da trilogia A Sombra do Corvo, Anthony Ryan estreia de maneira promissora com uma aventura repleta de ação.



A Canção do Sangue, livro que inicia a trilogia A Sombra do Corvo, foi um dos lançamentos mais aclamados de 2014. Em meio a tantos lançamentos de grandes nomes da literatura fantástica, Anthony Ryan conseguiu destaque e hoje é considerado um dos maiores escritores de fantasia da atualidade. Sem enrolações, já posso adiantá-los de que esse foi um dos melhores livros que li esse ano (ficando atrás apenas de A Roda do Tempo, série pela qual me apaixonei perdidamente).


"— A lealdade é nossa força."

Vaelin Al Sorna, também conhecido como Eruhin Makhtar, o Matador do Esperança, está sendo levado a um julgamento por combate, onde deverá responder por todos os crimes que cometeu num passado não tão distante e, provavelmente, encontrar o destino que todos almejam para o filho do ex-Senhor da Batalha: a morte.


Tendo como companheiro de viagem o escriba imperial Verniers, Vaelin decide contar um pouco de sua história, revelando segredos nunca antes imaginados e omitindo verdades que poderiam valer uma vida. E assim começa a nossa história.

*     *     *

Ainda de luto pela morte de sua mãe, Vaelin segue seu pai, o Senhor da Batalha, um homem de pouquíssimas palavras, em uma viagem até a casa da Sexta Ordem, um grupo militar religioso que treina seus guerreiros para defenderem a Fé do Reino, e é lá, na casa da Sexta Ordem, que Vaelin é abandonado por seu pai para ser treinado nas artes da guerra.


Sem entender os motivos que levaram seu pai a abandoná-lo, Vaelin é colocado em um grupo com outros garotos recém chegados que possuem a mesma idade que ele. Todos esses garotos também foram abandonados na porta da Sexta Ordem por suas famílias e guardam as mágoas. Logo de início eles são ensinados que, à partir do momento em que foram largados para a Sexta Ordem, suas antigas famílias morreram. A Sexta Ordem é a nova (e única) família de todos aqueles que nela ingressam.

Os novatos iniciam um treinamento rígido e brutal, onde, antes de aprender a arte de matar, deverão saber como se livrar da morte, e para isso eles são enviados para testes de sobrevivência na natureza.

Em um desses testes de sobrevivência, Vaelin encontra um lobo na floresta e, logo após esse encontro, sofre uma tentativa de assassinato. É aí que Vaelin sente algo estranho dentro de si mesmo, algo como uma intuição que o avisa sobre os perigos que ainda estão por vir, algo que o indica qual direção tomar quando estiver perdido, algo mágico. Esse dom, essa intuição é chamada de Canção.


Ao finalizar o teste e retornar à Ordem, Vaelin começa a se questionar  sobre os motivos que levariam alguém a querer matá-lo, quem desejaria vê-lo morto e, o mais intrigante, por que fora enviado à Ordem?

O tempo vai se passando e Vaelin e seus irmãos de Fé vão encarando os testes e enfrentando treinamentos cada vez mais pesados, onde aprendem a usar todo e qualquer tipo de arma criada pelo homem, aprendem z arte da cavalaria, estratégias de combate, combates desarmados e até como forjar sua própria arma. Cada um dos irmãos de Vaelin se destaca em uma modalidade diferente: Vaelin é o melhor espadachim; Caenis conhece a natureza como um lobo; Nortah é o melhor cavaleiro; Barkus leva vantagem em combates desarmados; Dentos é o melhor arqueiro do grupo. A amizade entre os irmãos cresce e se fortalece cada vez mais.

*     *     *

Tempos depois, já confirmado como irmão da Sexta Ordem, Vaelin não vê outra opção a não ser pedir a ajuda do Rei Janus para uma causa. O Rei concede a ajuda, mas estabelece alguns critérios que são aceitos por Vaelin, que a partir desse momento está imerso em tramas políticas e religiosas. É aí que se inicia a lenda de Vaelin Al Sorna, o Beral Shak Ur, o Matador do Esperança, Irmão da Sexta Ordem e filho do ex-Senhor da Batalha do Rei.


Anthony Ryan dividiu esse primeiro livro da trilogia A Sombra do Corvo em 5 partes compostas por, no máximo, 12 capítulos. No início de cada parte temos um Relato de Verniers, que é uma parte da história contada sob o ponto de vista do escriba imperial durante a viagem até o local onde acontecerá o combate. Esses relatos são narrados em primeira pessoa. Quando partimos para a história de verdade, essa é narrada em terceira pessoa sob o ponto de vista de Vaelin Al Sorna.

Durante a primeira parte da obra, podemos notar uma leve semelhança com A Crônica do Matador do Rei, mas não pense que a infância de Vaelin se desenvolve de forma monótona como a de Kvothe. Esse pode ter sido o ponto mais forte de todo o livro: o desenvolvimento do personagem principal em sua infância. Fiquem sabendo também que, além de ter desenvolvido o personagem principal com maestria, Ryan também o fez com os secundários.

As religiões que Anthony Ryan criou são muito interessantes. De um lado temos a , que crê na vida após a morte e venera os Finados como se fossem deuses. De outro lado temos os praticantes da religião "pagã" do livro, as Trevas, onde os seus seguidores veneram deuses em cultos regulares. Junto às Trevas também podemos encaixar o sistema de magia do livro, que é bem complexo, mas muito interessante. No livro as magias são chamadas de Dons, e existem diversos tipos: cura, comunicação, persuasão e muitos outros. Vou destacar aqui o Dom da Canção. A Canção é como se fosse um instinto, ela "canta" para você se algum perigo está próximo, aumenta a sua sensibilidade com o sentimento das pessoas ao seu redor, permitindo desse modo que você saiba, por exemplo, se uma pessoa está mentindo ou não.

Tramas políticas não podem estar de fora de um livro dessa magnitude, e em A Canção do Sangue elas são bem presentes e possuem certa ligação com os muitos conflitos religiosos.

Além da excelente inserção dos personagens masculinos na obra, Anthony Ryan teve o cuidado de inserir personagens femininas com personalidades fortíssimas e um grau de importância gigantesco para a série. Como exemplos eu posso citar a manipuladora Princesa Lyrna, Sella, a garota muda e enigmática que Vaelin encontra em um dos testes de sobrevivência, e a marrenta, porém muito carismática Irmã Sherin, que possui habilidades que contrastam com as de Vaelin, sendo desse modo uma personagem para se ficar de olho.

As batalhas descritas por Anthony Ryan me lembraram um pouco o estilo de Bernard Cornwell. Ryan vai direto ao ponto, sem enrolações, descrevendo as estratégias e habilidades usadas.

Por fim, preciso dizer que uma das coisas que mais me impressionou nesse livro foi o relacionamento de Vaelin com seus irmãos de Fé. O laço de amizade fortíssimo, a lealdade conquistada, as mentiras contadas para salvar a vida de um irmão. Confesso que em algumas partes a emoção quase tomou conta de mim. O trabalho de Anthony Ryan é lindo.

Avaliação:







6 comentários:

  1. "mas não pense que a infância de Vaelin se desenvolve de forma monótona como a de Kvothe."

    Que ultraje, moço! Nossa amizade termina aqui.
    Brincadeira. Mas eu sinceramente acho que a parte mais fascinante de Nome do Vento é a infância de Kvothe, especialmente quando ele fica sozinho. Não gosto tanto dele na adolescência, exceto as passagens com Elodin. Se tivesse de escolher entre os três Kvothes, eu provavelmente ficaria com ele criança e com o Kote. Esse do meio-termo consegue ser prepotente e irritante, às vezes.

    Enfim. Fiquei super curiosa para ler Canção do Sangue. O que me fisgou mesmo foi a Sexta Ordem e o lance de serem abandonados à porta. Lembrou um pouquinho Game of Thrones e a Patrulha da Noite, além de no meio da leitura da resenha eu ter recordado também de O Trono de Diamante. Parece um livro promissor e eu espero curti-lo. Ótima resenha!

    Beijos,
    Celly - http://melivrandoblog.blogspot.com/

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    1. Kvothe dá sono! HAUHUAHUAHA
      O que salva a obra do Pat é a narrativa monstruosamente linda e o mundo criado com maestria.
      Concordo contigo quando diz que A Canção do Sangue nos lembra um pouco da Patrulha da Noite e O Trono de Diamante, pois também senti algumas familiaridades.
      Não parece, Celly. É um livro muito promissor. A Canção do Sangue só não está como Melhor Livro de 2016 na minha lista por motivos passionais. HAHAHAHA

      Um beijo!

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  2. Olá, Phellipe! Muito boa a resenha, cara, parabéns!

    Eu já vinha namorando esse livro nas prateleiras das livrarias já fazia um baita tempão... Agora depois dessa sua resenha com certeza vou comprá-lo e lê-lo!

    Parece que as obras de literatura fantástica vem melhorando de uns tempos pra cá. Talvez seja uma impressão minha, mas passamos os por uns maus bocados nos últimos dois anos. Seja como for, agora fiquei mega curioso com A Canção de Sangue!

    Ótima resenha, velho, e um forte abraço!

    http://baudoarquimago.blogspot.com/
    http://www.sintoniacult.com.br/

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    1. Muitíssimo obrigado, Wagner!
      Infelizmente não é impressão sua, cara. Nos últimos dois anos surgiram coisas horrendas na fantasia, mas também surgiram coisas estupidamente maravilhosas e que merecem um destaque muito maior por aí. Compre A Canção do Sangue e leia imediatamente! Não será dinheiro perdido e, pode ter certeza, será um dos melhores livros que você lerá na vida.

      Um forte abraço, Wagner!

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  3. Viva, Phelipe. Esse livro é muito interessante, pena que esse autor ainda não esteja publicado aqui em Portugal.
    Agora vou ler O Último Reino do mestre Cornwell.

    http://noticiasdezallar.wordpress.com

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    1. Quando ele for publicado por aí, Nuno, não perde tempo. Compra que é leitura de qualidade.

      Cornwell é ♥

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