terça-feira, 11 de outubro de 2016

RESENHA: O CONQUISTADOR - O LOBO DAS PLANÍCIES

Título: O Lobo das Planícies
Série: O Conquistador

Páginas: 420
Autor (a): Conn Iggulden
Editora: Record (2008)

Sinopse: Temujin tinha apenas 11 anos quando seu pai foi morto. Filho do líder da tribo, o menino foi então abandonado, e começou a vagar pelas planícies. Em pouco tempo, Temujin dominava o arco-e-flecha, demonstrando grande habilidade com armas. Reunindo outros excluídos como ele, logo dominaria diversas tribos. A grande jornada apenas começava, um novo imperador estava nascendo: Gêngis Khan. 'O Lobo das Planícies' é o primeiro volume da série 'O Conquistador', que recria a saga do imperador mongol Gêngis Khan e de seus descendentes.

Já li algumas obras não romantizadas que retratam a vida do maior conquistador que já existiu, Gêngis Khan. Além das leituras, também assisti alguns filmes e, recentemente, tive contato com a série Marco Polo, onde vemos os filhos dos filhos de Gêngis Khan colhendo o que o pai plantou: um vasto império. Muitas pessoas já me indicaram a leitura da série O Conquistador, que é muito bem avaliada no Skoob e no Goodreads, e eu decidi aproveitar a minha "vibe histórica" pra ver se era isso tudo mesmo. Se vocês me pedissem pra definir esse livro em poucas palavras, eu diria: FENOMENAL!


* * * *

Em um inverno rigoroso, típico das terras mongóis, nasceu Temujin, o segundo filho de Yesugei, o khan dos Lobos, que foi batizado com o nome de um corajoso guerreiro tártaro morto pelas mãos de seu pai. Ao retirar a criança de dentro da mãe, a parteira notou que o recém-nascido segurava um coágulo de sangue em sua mão. Um mau presságio.

"— O nome do meu filho é Temujin. Ele será ferro."

Após um tempo, Temujin é levado à tribo dos Olkhun'ut, onde conhecerá aquela que poderá ser sua futura esposa, honrando assim a tradição e preservando a linhagem de sua mãe. Além disso, o garoto passará uma temporada na tribo para aprender todos os costumes, táticas de guerra e técnicas de luta dos guerreiros Olkhun'ut. O khan dos Lobos deixa o filho na tribo e segue o caminho de volta para sua casa.

Em uma de suas paradas para descansar e se alimentar, Yesugei é atacado por alguns tártaros, que deixam o khan gravemente ferido, envenenado e debilitado, mas mesmo assim levam a pior. Reunindo todas as forças que lhe restam, Yesugei consegue montar em seu pônei e seguir viagem.

Yesugei Baghatur
Inconsciente, o khan dos Lobos consegue chegar até a planície onde sua tribo está acampada e é resgatado por Bekter, seu filho mais velho, e seus homens de confiança, que o levam até sua iurta (um tipo de cabana) para ser cuidado por sua esposa, Hoelun. Um dos homens em quem Yesugei mais deposita sua confiança suspeita que seu senhor não sobreviva ao envenenamento e começa a demonstrar um cobiça nunca antes vista para com a posição de khan.

As notícias correm rápidas. Um mensageiro dos Lobos vai até os Olkhun'ut para notificar Temujin da situação de seu pai e o garoto parte em uma viagem frenética até as planícies.

Ao chegar a sua tribo, Temujin se apressa para a iurta de seu pai, que, como se estivesse esperando o garoto, dá o último suspiro e morre. É então que o jovem guerreiro mostra um pouco de frieza e imediatamente vai notificar o seu povo da morte do khan e, assim decidir quem, entre ele e Bekter, deverá assumir o posto de khan dos Lobos.

O que os irmãos não esperavam, é que o homem em quem seu pai mais confiava, trairia a família a quem jurou lealdade e usurparia o posto de khan dos filhos de Yesugei. Os dois irmãos se revoltam e partem pra briga com o guerreiro, que os derrota facilmente e, como se a humilhação de usurpar o posto de khan não fosse o suficiente, o usurpador ordena que os Lobos levantem acampamento e se mudem, mas a família do antigo khan deve ficar à esmo, sem abrigo, comida ou proteção. Temerosas, as pessoas que compõe a tribo dos lobos não se opõe à ordem do novo khan, e fazem o que foi ordenado.

Hoelun, a viúva de Yesugei, e seus filhos: Bekter, o mais velho; Temujin, o segundo; Kachiun e Khasar, os seguintes; Temuge, o quinto e Temulun, a recém-nascida, são deixados para trás na planície, somente com as roupas do corpo, a coragem, a vontade de sobreviver e a promessa de um inverno extremamente rigoroso.

A partir daí, a família abandonada passará por uma série de desafios, intrigas e muitas outras adversidades que moldarão seus caráteres, inclusive o de Temujin, que descobrirá ali, no momento de abandono, o verdadeiro khan que existe dentro dele.

Temujin, Gêngis Khan.
 Uma obra sem igual. Uma obra que emociona até o mais insensível leitor. Para escrever O Lobo das Planícies (não só o primeiro livro, mas a série toda), Conn Iggulden morou durante um tempo na terra de Gêngis Khan para pesquisar a fundo todas as lendas, culturas, costumes e culinária, o que deu um toque ainda mais especial à obra.

O livro possui uma narrativa em terceira pessoa sob o ponto de vista de Temujin (se alternando pouquíssimas vezes durante a leitura). A escrita de Conn Iggulden é belíssima, simples e agradável, bem direta e sem muita enrolação. A obra é dividida em duas partes onde, na primeira parte, acompanhamos a infância de Temujin, desde seu nascimento até o momento em que ele atinge a maioridade (o que nós conhecemos como maioridade). Na segunda parte já podemos ver um pouco mais de ação do que na primeira, pois é onde Temujin vai começar a colocar todas as suas ideias em prática.

Iggulden focou com intensidade na parte psicológica dos personagens, principalmente na família abandonada. Podemos acompanhar o desespero de uma mãe para cuidar de seus filhos, uma união entre irmãos se fortalecendo de forma emocionante, as brigas decorrentes do stress por causa da falta de recursos e etc. Esse desenvolvimento psicológico é extremamente importante para o personagem principal, pois, assim como eu já comentei ali no enredo, foi uma forma de moldar o caráter dele para que ele se tornasse o que conhecemos hoje como o maior conquistador que já existiu na humanidade.

As batalhas descritas por Conn Iggulden podem ser comparadas com as maravilhosas batalhas descritas por Bernard Cornwell. Gêngis Khan foi um exímio estrategista, e Iggulden conseguiu captar essa qualidade do conquistador e transcrevê-la com maestria. Além disso, a narrativa nos momentos de batalha é frenética, o que transporta o leitor para o meio do cerco e faz com que ele anseie por mais.

O livro possui uma excelente pesquisa histórica, como já é de se esperar, mas Conn Iggulden tomou a liberdade de inserir algumas partes fictícias na trama que se encaixam com perfeição. O final do livro conta com uma nota histórica escrita pelo autor, onde ele nos diz o que é história de verdade e o que é ficção.

Esse livro é indicado para leitores que apreciam a história dos grandes conquistadores. Quem simpatiza com Bernard Cornwell, com certeza irá adorar a história de Gêngis Khan contada por Conn Iggulden. Não deixem pra depois, leiam já!

"A coragem não pode ser deixada como ossos num saco. Deve ser tirada para fora e mostrada à luz repetidamente, ficando mais forte a cada vez. Se você acha que ela vai se manter para quando for necessária, está errado. Se você ignorá-la, o saco estará vazio quando você mais precisar."

Avaliação:




3 comentários:

  1. Excelente livro, excelente resenha. Certamente está entre as minhas melhores leituras do ano! Temujin é ferro!!

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  2. Livro espetacular esse, e o melhor é que o nível da série toda não cai.

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  3. Eu já tava querendo ler esse livro, agora tô querendo devorar

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