domingo, 31 de julho de 2016

RESENHA: A BUSCA DO GRAAL - O ARQUEIRO

Título: O Arqueiro
Série: A Busca do Graal
Páginas: 444
Autor (a): Bernard Cornwell
Editora: Record (2011)

Sinopse: Bernard Cornwell usa como cenário a Guerra dos Cem Anos para dar início à uma saga empolgante. Acompanhe a trajetória do jovem guerreiro Thomas que, aos 18 anos, vê o pai morrer em seus braços num ataque-surpresa à cidade de Hookton. Um lugar simples que escondia um grande segredo: a lança usada por São Jorge para matar o dragão. Em busca de vingança, o rapaz, arqueiro habilidoso, junta-se ao exército inglês em campanha na França, onde se envolve em batalhas e aventuras que, sem perceber, lançam-no em busca do Santo Graal.

*Livro lido na Maratona Parede de Escudos

Após a leitura do livro O Rei do Inverno, decidi me aventurar ainda mais no período medieval sob a narrativa de Bernard Cornwell e me deparei com essa excelente obra. O Arqueiro é o primeiro livro da trilogia A Busca do Graal, que é muito aclamada entre os leitores do gênero.



Durante uma vigília na véspera do domingo de Páscoa, franceses invadem a cidadezinha de Hookton em busca de um artefato religioso que está sob os cuidados de um padre. Em meio ao caos, os franceses encontram o tal artefato e matam o seu guardião.

Thomas, um rapaz de 18 anos que possui uma incrível habilidade no manejo do arco longo, assiste o assassinato de seu pai e, escondido, consegue acertar uma flecha em um dos assassinos, matando-o. Já livre da ameaça francesa, Thomas vai ao encontro de seu pai moribundo e promete que recuperará o artefato que é de sua família por direito.

A partir daí, Thomas ingressa no exército inglês, tornando-se um dos temidos soldados que preenchem as fileiras de arqueiros, e sua aventura começa!


Realista, sangrento e com referências históricas excelentes. São esses três pontos que fazem O Arqueiro ser um livro fantástico!

O livro possui uma narrativa bem detalhista em terceira pessoa, que se alterna entre diferentes pontos de vista. Em alguns desses pontos de vista podemos notar uma quebrada no ritmo da história, mas não é nada muito grave, pois o ritmo vai voltando aos poucos (uma das características de Bernard Cornwell).

O nosso protagonista é um dos pontos mais fortes do livro. Thomas é um personagem indeciso, cético, repleto de dilemas e vive paixões com a mesma intensidade com que as esquece. O arqueiro se encaixa mais no estereótipo do anti-herói do que do herói propriamente dito.

Assim como Thomas, os demais personagens do livro são bem interessantes, mas uns são mais desenvolvidos do que outros. Destaque especial para Guillaume d'Eveque, Blackbird (uma personagem feminina de personalidade forte) e padre Hobbe.

Já sabemos que Bernard Cornwell narra batalhas como ninguém, mas nesse livro ele se supera, pois usa como base a incrível Batalha de Crécy, batalha essa que deu início à Guerra dos Cem Anos, disputada entre França e Inglaterra. As estratégias de batalha são inseridas com maestria e a descrição dos arqueiros em atividade é fantástica!


O Arqueiro é o livro onde podemos ver com exatidão a habilidade que Bernard Cornwell possui em criar personagens fictícios e inseri-los dentro de histórias verídicas. É um livro para pessoas que gostam de história e anseiam sempre por mais conhecimento.

Avaliação:



segunda-feira, 11 de julho de 2016

RESENHA: AS CRÔNICAS DE ARTUR - O REI DO INVERNO

Título: O Rei do Inverno
Série: As Crônicas de Artur
Páginas: 546
Autor (a): Bernard Cornwell
Editora: Record (2008)

Sinopse: O Rei do Inverno conta a mais fiel história de Artur, sem os exageros míticos de outras publicações. A partir de fatos, este romance genial retrata o maior de todos os heróis como um poderoso guerreiro britânico, que luta contra os saxões para manter unida a Britânia, no século V, após a saída dos romanos. "O livro traz religião, política, traição, tudo o que mais me interessa," explica Cornwell, que usa a voz ficcional do soldado raso Derfel para ilustrar a vida de Artur. O valoroso soldado cresce dentro do exército do rei e dentro da narrativa de Cornwell até se tornar o melhor amigo e conselheiro de Artur na paz e na guerra.

*Livro lido na Maratona Parede de Escudos

Iniciei a Maratona Parede de Escudos com a trilogia As Crônicas de Artur. O Rei do Inverno, livro que dá início à trilogia, nos apresenta uma história mais crível do mito arturiano, repleta de ótimas batalhas e conflitos políticos.

Derfel Cadarn.
Derfel Cadarn foi um dos cavaleiros mais leais de Artur, mas, anos após as muitas batalhas que lutou com seu senhor, encontra-se em um monastério como um dos monges do Deus cristão. À pedido de sua rainha, a Sra. Igraine, Derfel contará toda sua trajetória, desde antes de se tornar um dos cavaleiros daquele que é o personagem mais conhecido de todas as histórias medievais. Em sua história, Derfel derrubará todos os mitos e fantasias que existem na história do Rei Artur.

* * *

Após o nascimento de Mordred (filho), o único herdeiro legítimo da Dumnonia, o Grande Rei Uther, o Pendragon, convoca o Grande Conselho para decidir quem, após sua morte, assumirá os cuidados de seu neto até que o mesmo tenha idade suficiente para subir ao trono. Artur, filho bastardo de Uther, a quem o Grande Rei culpa pela morte de Mordred (pai), é escolhido por votação para garantir a segurança do pequeno príncipe, que está em Ynys Wydryn.

Pouco tempo após o conselho, o Grande Rei morre, causando um esfacelamento da Britânia, que, além de lutar para impedir as invasões saxãs, também precisará lutar por questões políticas.

É aí que Artur exercerá seu papel de protetor do pequeno rei e impedir o avanço saxão, além, é claro, de tentar eliminar as várias ameaças para destruir as alianças que mantém a Britânia unida.


Eu estava com saudades da escrita genial de Bernard Cornwell. Nesse livro ele nos presenteia com uma excelente narrativa em primeira pessoa. Apesar de ser uma história arturiana, O Rei do Inverno não é narrado sob o ponto de vista de Artur, Morgana, Nimue, Merlin, Lancelot ou qualquer outro personagem famoso do mito, mas sim por um personagem fictício criado pela mente brilhante de BC: Derfel Cadarn.

Uma coisa que vale ser ressaltada aqui é: mesmo com toda a admiração que Derfel sente pelo seu líder, ele não esconde as muitas falhas de Artur.

Por falar em Artur, ele é um personagem fantástico, que está sempre dividido entre coração e dever. Cornwell criou um personagem extremamente humano que está sempre em busca do melhor para o reino, mas que muitas vezes comente erros. Artur é dono de uma personalidade altruísta e pacifista, ele sempre vai tentar evitar uma guerra se houver chances dela ser evitada, mas não se engane, pois ele também pode ser arrogante, egoísta e muito manipulador. Os demais personagens também foram muito bem construídos, mas poucos tiveram o destaque e desenvolvimento merecido.

É impossível resenhar alguma obra de Bernard Cornwell sem citar as perfeitas batalhas. Cornwell narra as batalhas com maestria e detalhamento, o que tem o poder de transportar o leitor para o meio de uma parede de escudos.

Pra finalizar a resenha, deixo com vocês essa citação maravilhosa sobre o destino:

"Mas o destino, como Merlin sempre nos ensinava, é inexorável. A vida é uma brincadeira dos Deuses, costumava dizer Merlin, e não existe justiça. Você precisa aprender a rir, disse-me ele uma vez, ou então vai simplesmente chorar até morrer."

Avaliação: