domingo, 14 de agosto de 2016

RESENHA: AS AVENTURAS DE SHARPE - O TIGRE DE SHARPE

Título: O Tigre de Sharpe
Série: As Aventuras de Sharpe
Páginas: 406
Autor (a): Bernard Cornwell
Editora: Record (2005)

Sinopse: Misore, Índia, 1799. Richard Sharpe é um jovem recruta a serviço da realeza britânica e integrante da expedição para derrubar o impiedoso sultão Tipu, no poder com a ajuda dos aliados franceses. Acusado de insubordinação por seu superior, o sargento Hakeswill, Sharpe acaba destacado para uma perigosa missão: infiltrar-se na intransponível Seringapatam, cidade-fortaleza do líder indiano. Fingindo-se de desertor, o jovem soldado deve contatar um espião escocês aprisionado e descobrir a melhor maneira de o exército britânico conquistar a cidade. Caso seja bem-sucedido, Sharpe ganhará as divisas de sargento. Entretanto, se fracassar, ficará frente a frente com os assustadores tigres de Tipu. Em um mundo exótico e estranho para o recruta, um passo em falso significará a morte. A situação complica-se ainda mais quando o jovem espião descobre que deve lutar contra seus velhos camaradas para salvar a própria vida. O tigre de Sharpe é o emocionante livro de estréia protagonizado pelo oficial britânico Richard Sharpe, que participará de conflitos na costa de Portugal e Espanha até a derrota do exército napoleônico em Waterloo. Os livros da série As Aventuras de Sharpe já venderam mais de 4 milhões de cópias no mundo todo e tornaram-se seriado de televisão na Inglaterra.

*Livro lido na Maratona Parede de Escudos

As Aventuras de Sharpe é uma das mais aclamadas séries de Bernard Cornwell. Composta por 21 volumes (!), a série é ambientada em um período napoleônico, bem à frente do período medieval que o escritor costuma narrar em suas obras. Sem mais delongas, vamos lá!


O exército britânico está em campanha na Índia e tem como principal objetivo a tomada de Seringapatam, uma importantíssima rota de comércio da região que está sob as ordens do famoso sultão Tipu. Com o evidente avanço das tropas inglesas, Tipu alia-se aos franceses com o intuito de fortalecer mais as suas defesas.

Entre os muitos soldados do exército inglês, conheceremos Richard Sharpe, um simples recruta analfabeto da Companhia Ligeira do 33° Regimento do rei. Insatisfeito com vida militar, Sharpe pensa seriamente em desertar e levar consigo sua amada Mary, tirando-a das mãos carniceiras de Obadiah Hakeswill, um dos sargentos do 33° Regimento.

Obadiah Hakeswill faz de tudo para que Sharpe seja expulso do exército ou morto. Em uma de suas investidas, Hakeswill inicia uma série de provocações que fazem com que Sharpe perca a cabeça e agrida seu superior. O recruta é condenado a uma pena de 2.000 chibatadas em suas costas nuas.

A felicidade de Hakeswill dura pouco, pois antes do término do açoitamento, Sharpe é convocado para uma reunião com os oficiais do alto escalão. Debilitado e beirando a inconsciência, Sharpe é desamarrado do tronco e levado aos superiores, que o colocam em uma missão suicida junto do tenente William Lawford: os dois precisam se infiltrar na fortaleza de Seringapatam, encontrar um oficial de alta patente que possui uma informação valiosa para o exército, mas que foi capturado e está sendo mantido preso por Tipu.

A aventura começa quando Sharpe e Lawford partem rumo à Seringapatam.




"— Meu Deus! — exclamou um soldado da retaguarda. — Que foi isso?
— Um peido de camelo — retorquiu um cabo. — Ora, diabos, o que você acha que foi?
— Foi um péssimo tiro — comentou Sharpe. — Minha mãe maneja um canhão melhor que essa gente.
— Não acho que você tenha tido mãe — provocou o recruta Garrard.
— Tom, todo mundo teve mãe.
— Não o sargento Hakeswill — disse Garrard, cuspindo uma mistura de poeira e saliva."

Diferente de suas outras obras, Bernard Cornwell decidiu ambientar As Aventuras de Sharpe em um período onde os arcos de freixo foram substituídos por rifles e mosquetes.

O Tigre de Sharpe é narrado em terceira pessoa sob diferentes pontos de vista. Mais uma vez, como já é de costume, essas mudanças de ponto de vista podem dar uma quebrada no ritmo da história, mas são essenciais para apresentar alguns personagens, estratégias militares e etc.

Bernard Cornwell possui uma habilidade fantástica de inserir personagens fictícios em acontecimentos históricos reais, e com Richard Sharpe não foi diferente. Além do soldado, os demais personagens que integram a trama também foram bem construídos, e esses merecem um belo destaque: sultão Tipu, coronel Gudin, William Lawford e até o bastardo infame Obadiah Hakeswill. Senti falta de desenvolvimento em alguns personagens, mas nada que afete a leitura.



O Tigre de Sharpe não é um livro focado nas batalhas (apesar de que as poucas existentes tiram o folêgo) , mas sim nas estratégias militares. Os vocabulários de época utilizados para descrever os arsenais de guerra são um ponto fortíssimo na obra. Pode ser que alguns leitores que não possuem um conhecimento mais aprofundado em arsenal de guerra se percam, mas nada que o Google não possa ajudar.

Muitos dos fatos apresentados no livro são reais, mas Bernard Cornwell se deu a liberdade de acrescentar algumas coisinhas à história. Os fatos reais e os fictícios são apresentados, discutidos e explicados na nota histórica do final do livro.

O livro possui um final muito agradável que quase não deixa ganchos para os próximos volumes.

Essa foi mais uma excelente obra do mestre da ficção histórica que eu tive o prazer de ler e, mesmo a série sendo muito extensa e não ter sido finalizada aqui no Brasil, eu investirei nos próximos livros.


Avaliação: